Iniciação científica: proposta da escola busca o amadurecimento das habilidades acadêmicas do aluno
- Jornal Folha Verde

- 24 de abr. de 2018
- 5 min de leitura
Projeto que vem sendo realizado há treze anos é um dos momentos mais marcantes da vida escolar dos alunos da escola Verde Que Te Quero Verde
Desde 2005, a escola Verde Que Te Quero Verde realiza um projeto de iniciação científica com as turmas de segundo ano do ensino médio. Durante os primeiros anos, esse projeto se chamava “monografando”, e a proposta era bem similar a que temos hoje em dia. O intuito sempre foi introduzir aos alunos como se realizar uma pesquisa científica, a fim de que isso os prepare para futuras tarefas acadêmicas. Com muitos anos de estudo e preparação, a equipe de professores e coordenadores da escola busca ensinar aos alunos que responsabilidade, dedicação e persistência são os principais ingredientes para uma pesquisa final de sucesso.
A primeira etapa é aquela introdutória, onde o professor da matéria da iniciação científica apresenta aos alunos o que é uma pesquisa acadêmica, como ela é realizada no espaço escolar e o que se espera do aluno neste momento. Logo depois, são apresentadas possíveis linhas de pesquisa dentro de cada matéria, para que o aluno escolha algo que ele realmente esteja interessado em trabalhar. Assim, começam a ser entregues as cartas de aceite, onde o aluno faz uma proposta ao professor que ele gostaria de ter como orientador. Então, os professores analisam todas as cartas, se reúnem, e definem a relação de orientandos e orientadores.
A segunda etapa é aquela onde o aluno senta para conversar com seu orientador para planejar um projeto de pesquisa. Este projeto tem como objetivo servir de guia para a pesquisa, evitando que o aluno perca tempo ou que se atrapalhe com prazos e obrigações. É similar a uma “maquete” do trabalho, e conforme o tempo vai passando, novas informações vão surgindo.
A partir de então, a pesquisa de fato começa. Leitura de textos e artigos, coleta de dados, observações, experimentações e muitos outros métodos de pesquisa são realizados pelos alunos, cada um de acordo com a sua respectiva proposta. É um momento que necessita de muita dedicação e atenção, assim como muita persistência para enfrentar possíveis dificuldades. É onde o aluno aprende na prática o processo de realizar uma pesquisa acadêmica.
Por fim, os dados e observações são analisados, e começa a versão final do trabalho. Um texto de conclusão é produzido, assim como um pôster para apresentação. E então, entre outubro e novembro, chega o dia de socialização da pesquisa com pais, professores e colegas. É o momento de compartilhar experiências, e do aluno se sentir gratificado e orgulhoso pela trajetória que percorreu até ali.
Na edição de 2018 da proposta de iniciação científica está sendo realizada a segunda etapa do processo. Os alunos do atual segundo ano do ensino médio estão definindo, juntamente com seus orientadores, uma primeira versão do seu projeto de pesquisa. Para auxiliá-los, a escola promoveu um encontro com o atual terceiro ano do ensino médio, a fim de que pudessem compartilhar suas experiências com este projeto que eles realizaram no ano anterior. As turmas se encontraram, trocaram dicas e deram recomendações.
Para comentar um pouco sobre como foi este momento de troca, entrevistamos o atual aluno do terceiro ano, Rafael Cunha, e ele nos contou um pouco de suas impressões e da sua experiência com o trabalho acadêmico:
Como foi a experiência de realizar um trabalho de iniciação científica no Ensino Médio?
“Realizar o trabalho de iniciação científica foi uma experiência bastante importante para o meu aprendizado, embora tenha sido extremamente trabalhoso e requerido uma grande quantidade de esforço, dedicação e compromisso, assim como uma considerável distribuição e administração do meu tempo pessoal para poder seguir com o projeto. Esse trabalho me proporcionou um grande conjunto de experiências não só do resultado da pesquisa, mas também do processo necessário para efetuá-la como um todo.”
O seu produto final de pesquisa atendeu às suas expectativas iniciais?
“O meu produto final ficou consideravelmente diferente em relação àquilo que eu havia planejado, entretanto o resultado ainda assim foi bastante satisfatório. Devido ao relativamente curto prazo que havia para que o projeto fosse concluído e as limitações do espaço amostral e a disponibilidade de informações a respeito do tema abordado, foi necessário efetuar diversas adaptações no projeto como um todo.”
Você acha que ter realizado uma Iniciação Científica no Ensino Médio vai te beneficiar de alguma forma no seu futuro acadêmico?
“Sem dúvida acredito que ter tido essa experiência me beneficiará de diversas formas, não só no meu futuro acadêmico, mas também com qualquer outro tipo de trabalho complexo de longo prazo ou pesquisa que venha a ser efetuada na minha vida profissional.”
Qual a sua dica fundamental para a realização de um bom trabalho de Iniciação Científica?
“Acho que essa interação entre o terceiro ano e o segundo ano é algo extremamente conveniente, ainda que boa parte não tenha demonstrado tanto interesse ou preocupação, aqueles que estiveram dispostos a ouvir os conselhos de quem já passou pela experiência puderam perceber o quão importante foi este momento, para evitar diversos equívocos similares que viessem a cometer. Acredito que para realizar um bom trabalho de iniciação científica o comprometimento, o interesse pelo seu próprio trabalho, a sua relação com seu orientador, a administração das informações coletadas e atenção aos requisitos de cada etapa em geral, são os aspectos que principalmente podem compor um trabalho de exímia qualidade. O que acontece é que se houver uma desorganização ou algum deslize ao longo do projeto, podem acabar lhe comprometendo, não que não seja recuperável, mas pode vir a ser consideravelmente prejudicial, sendo assim é extremamente importante que haja uma comunicação clara e constante entre o orientador e o aluno responsável pela pesquisa, assim como o interesse de ambos pelo projeto. Seguindo todas as etapas e requisitos “à risca”, é bastante provável que caso consiga se obter todas as informações desejadas o trabalho seja excelente.”
Entrevistamos também a aluna Bianca Sirna, do segundo ano do Ensino Médio. Bianca está realizando o projeto de pesquisa, e compartilhou conosco o que achou do encontro com o terceiro ano e as suas expectativas para a sua pesquisa:
O que você está achando da proposta de Iniciação Científica da nossa escola?
“Eu estou achando a proposta bem interessante e envolvente. Estou bem animada para ver o resultado final da minha pesquisa, assim como para compartilhá-la com meus colegas, pais e professores.”
Como foi poder ouvir as experiências do 3° ano na Iniciação Científica? “Foi muito útil ouvir as experiências do 3° ano, principalmente pelas dicas que eles nos deram. Acho muito válido rodas de conversas como esta ocorrerem mais vezes.” Você acha que realizar uma Iniciação Científica no Ensino Médio vai te beneficiar de alguma forma no seu futuro acadêmico? “Sim, com toda certeza. É como se eu estivesse tendo uma ‘prévia’ da experiência que eu vou ter quando tiver que fazer o TCC no final da faculdade, ou com qualquer outra pesquisa de caráter científico.” Você acha que o seu desempenho na Iniciação Científica pode ajudar a ter mais comprometimento com tarefas, de maneira geral? “Sem dúvidas. A proposta inicial da Iniciação Científica já está refletindo bastante no meu desempenho escolar. Consegui perceber o quanto fazer algo com dedicação resulta em bons trabalhos. Ao longo de todas as etapas, com certeza vou adquirir cada vez mais experiência para agregar nas minhas experiências acadêmicas em geral.”
Após estas entrevistas, foi possível perceber o quanto o trabalho de iniciação científica envolve os alunos que o realizam. É um dos pontos de destaque do Ensino Médio da escola, uma proposta que encanta tanto aos pais, quanto aos alunos e professores. É muito mais do que uma pesquisa para ganhar nota, é um aprendizado para toda a vida.
- Rodrigo Fonseca e Beatriz Vidal


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