Entrevista com Renato Moriconi
- Jornal Folha Verde

- 26 de out. de 2017
- 3 min de leitura

Pela primeira vez a Escola Verde tem o prazer de receber o autor e artista visual Renato Moriconi. Ele, paulista nascido em Taboão da Serra, estudou artes plásticas e design gráfico. Tem mais de quarenta livros publicados no Brasil e também em outros lugares do mundo, como França, México e Coreia do Sul. Com eles, recebeu diversos prêmios ao longo de sua carreira, destacando Melhor Livro Para a Criança, em 2012, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Além de que foi finalista do prêmio Jabuti 2011 em duas categorias: Melhor Ilustração Infantil e Melhor Livro Infantil.
Todos já sentiam um carinho enorme por ele, e é possível afirmar que só aumentou!
FOLHA VERDE: Como tudo começou?
RENATO MORICONI: Eu sempre gostei de desenhar, nunca parei de desenhar. Eu tive uma relação com desenho onde não chegava nem a pensar em trabalho. Comecei a trabalhar mais cedo, com 13, mas não com o desenho, mas sim como office boy, e nas horas vagas ia desenhando. Esses desenhos acabaram chegando em uma lanchonete lá perto de onde eu trabalhava, lugar que muitos editores frequentavam. Um deles veio, e me chamou para trabalhar com ele, era pequeno, trabalhava sozinho, e de alguma maneira gostou do meu trabalho. Foi um lugar onde aprendi muitas coisas, já que na época era o ínicio do fácil acesso aos computadores pessoais. Tinha muito medo de computador, e sempre que mexia acabava com dor de cabeça, e chegava a pensar 'Meu Deus, eu não sirvo para isso'. Ficava pensando que ele iria substituir todo o trabalho, e agora é uma coisa que tenho uma relação muito boa e percebo que o que é importante ele não substitui.
Foi mais ou menos assim, naquela época fui muito direcionado ao ramo do trabalho, mas eu era muito pequeno, ainda estava em formação. Logo depois percebi que o desenho deve ser algo para mim de uma maneira que eu goste de fazer.
FOLHA VERDE: O que você achou das perguntas e do bate-papo com os alunos?
RENATO MORICONI: Ah, adorei! A escola pegou salas com muita distância de idade, então tinham pessoas de 4 anos à crianças de 13. Houve esse processo de seleção e todo esse carinho, o que me fez me sentir muito bem recebido por todos, como se todos fossem uma família, onde todos se conheciam, e me senti incluído como um deles.
Já cheguei a ir a escolas onde o professor não havia preparado o livro, ou título, que fez com que o desinteresse refletisse nos alunos. Então o que eu vi nesse evento aqui foi o interesse dos alunos. O que não só representa um carinho comigo, mas sim com eles próprios.
Tiveram uma ou outra que gostei muito. Que eram coisas como, se eu tenho um filho, ou se gosto de tomar café da manhã, são curiosidades que as crianças sempre tem!
FOLHA VERDE: Qual a sensação de entrar em uma livraria e encontrar o seu livro na estante?
RENATO MORICONI: É como se fosse um prêmio, uma honra! Porque você está no meio de um monte de publicações, e encontra lá no meio o seu. Eu quando estava na minha adolescência passei muito tempo indo e olhando livros infantis e quando vi fiquei super feliz! E tem uns detalhes assim, porque tem umas livrarias que tem estantes que estão em destaque, então quando ele está em uma dessas, e não virada de lado, e sim para a capa, você pensa, “ nossa, agora é o prêmio maior!”.
É um barato! Conheço escritores que pegam seu livro e colocam nessas prateleiras! Confesso que tive vontade de fazer isso, mas a vergonha ganhou. Mas é isso, um misto de emoções.
FOLHA VERDE: Cada pessoa tem uma maneira de produzir. Mas, como curiosidade, como você gosta de produzir?
RENATO MORICONI: Então, eu não tenho muito uma preferência. Quando estou terminando uma pintura no meu ateliê, quer dizer que estou em um lugar físico, que geralmente é o mesmo. Então lá eu ouço música e quando me canso, coloco falas ou palestras. Porque querendo ou não, como trabalho sem companhia, acabo me sentindo sozinho, então você começa a sentir vontade de ouvir não só música, mas também vozes.
Eu às vezes coloco rádio na internet, não no YouTube, porque gosto de saber que tem alguém ali, escolhendo músicas, opinando, me dando a sensação de que tem alguém ali presente.
Apesar de que há momentos, como quando estou lendo, em que sempre vou preferir o silêncio.
FOLHA VERDE: Agora para finalizar, de todas as suas obras, quais que podem ser consideradas suas mais queridas?
RENATO MORICONI: Acho que não tenho uma favorita, mas penso que são fases. Telefone Sem Fio foi um livro que foi muito importante para mim, então tenho um carinho especial por ele, pelo o Bárbaro, agora também pelo Dia da Festa e Além da Montanha.
Esses foram os livros mais relevantes para mim, muito pelo período de minha vida e carreira que me encontrava.



- Sophie N. Moujally


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